2019 Mar 12 / 14:30

Review: Devil May Cry 5

 

  • Análise feita à versão de PS4

 

Admito, desde que vi o trailer que fiquei entusiasmado com o lançamento de um novo Devil May Cry. Por outro lado, ouvir a música que estava a passar no fundo, "Devil Trigger", associada a algumas más mudanças em séries de video jogos, fez com que eu não criasse grandes expectativas. Fiquei com a ideia de que seria só mais um jogo entre muitos e que possívelmente até arruinaria esta série que tanto gosto. Para meu grande espanto, aconteceu o oposto. Devil May Cry 5 é incrível, ao ponto de com poucas horas de jogo eu começar a colocá-lo lado a lado com o meu jogo favorito na série, Devil May Cry 3.

A narrativa está muito boa. A maneira como entralaçam três histórias numa só, faz com que pareçam três jogo diferentes. Para ser bem sucedida apoia-se numa linha cronológica de eventos e dá uso à analepse que permite contar de forma muito consistente o que se sucedeu com certo personagem a tal altura da história. Cada personagem parece ter a sua própria temática, conseguimos ver isso através da banda sonora personalizada para cada um deles, que está relacionada com a personalidade e atitudes dos mesmos. Está repleta de mistério, sobretudo no que toca ao novo personagem V, que aparece na série sem background e envolvido em muita neblina. 

Surpreendeu-me imenso descobrir que o jogo mantem-se dividido por missões em vez de se aliar à nova moda dos mundos abertos, algo que achei que seria muito provável assim que comecei a ver veículos a serem apresentados, iria tirar linearidade ao jogo. Errado. É muito linear, mais até que alguns dos seus predecessores que nos obrigavam a voltar a zonas iniciais para progredir. Cada missão tem o seu percurso, que consiste no fundo em corredores ligados por áreas mais abertas. Por vezes obrigam-nos a optar entre ir por um lado ou o outro, sendo que após a opção feita há sempre alguma coisa que não conseguimos apanhar. Adiciona bastante replay value a algumas missões, sobretudo às que nos dão a escolher jogar com um dos personagens, o que será ainda maior razão para repetir o nível.

O combate é extremamente prazeroso, conseguir conectar aqueles combos vistosos é imensamente gratificante. Sendo que há três personagens, existem também três tipos de combate diferentes. O estilo de Dante é incrível como sempre foi, para além das novas armas, agora só se troca o estilo dentro do nível, a qualquer momento com o pressionar de uma tecla. Nero, tem um novo utensílio, Devil Breaker traz bastante diversidade ao seu gameplay que era antes, na minha opinião, muito monótono comparativamente ao de Dante. A grande novidade pertence a V. É completamente diferente dos outros dois personagens. Nota-se à primeira vista que V é fraco fisicamente. Muito magro e esguio, apoia-se numa bengala para andar. Tem três companheiros que lutam por ele, sendo que V só tem de se aproximar para dar o golpe final. É um gameplay fresco e original dentro da série sem dúvida, mas não consigo dizer com certeza que gostei imenso, é que ao pensar em Devil May Cry, penso em ir lutar para o meio dos monstros empunhando uma arma de grande porte.

Nem toda a banda sonora é tão má como Devil Trigger, mas acaba por ser algo subjetivo. É certo que existe uma enorme variedade de estilos musicais em Devil May Cry 5, diria que quase todas são grandes faixas sonoras, mas algumas delas desviam-se um pouco da identidade de Devil May Cry, o sentimento que oferecem é mais familiar, relaxado, confortável e seguro, sendo que anteriormente seriam todas músicas mexidas, músicas perfeitas para o combate, ou então um pouco mais clássicas mas com um sentimento mais negro. Senti também que algumas das vozes que utilizaram são totalmente diferentes do que outrora foram, e de certa forma nem sequer se encaixam com a personagem. Fazem-nos mudar a maneira como olhamos para esses personagens, como por exemplo Lady que tem uma voz bem mais doce e feminina.

Nota-se que existe uma grande evolução da série sem abandonar o que foi antigamente, as bases são exatamente as mesmas. Continua com grandes cinemáticos com cenas em câmera lenta, com muita exibição de habilidade, extremamente exageradas e badass muito ao estilo de Devil May Cry. O diretor Hideaki Itsuno referiu que achava que este seria o melhor jogo da série, a verdade é que é bem capaz de estar correto, pelo menos no final do meu julgamento, não sou capaz de dizer qual dos dois será melhor e o meu favorito, Devil May Cry 3 ou Devil May Cry 5.

 

  • Lançamento: 8 de Março, 2019
  • Plataformas: PC/PS4/ Xbox One
  • Desenvolvedor: Capcom
  • Editora: Capcom
  • Nota Pessoal: 9
  • Especiais agradecimentos à Ecoplay por ceder uma cópia para análise.

Rafael "Gripe" Pereira


Fã de vídeo-jogos desde a infância. Prefere jogos de ação e RPG's e o seu amor pelos jogos aumenta quanto mais velho fica. Gosta de explorar o mundo dos jogos e partilhar as suas descobertas.