2019 Mar 26 / 12:27

Análise: OlliOlli: Switch Stance

Os meus dedos gordos e desajeitados em conjunto com os meus reflexos lentos e pouca paciência para jogos de precisão são a combinação ideal para analisar OlliOlli: Switch Stance. Não me leiam de lado, se eu consigo vocês também conseguem, e como era esperado este port para Switch é brilhante.

Provavelmente toda a gente conhece OlliOlli, e esta versão junta o jogo original com a sua sequela (Welcome to Olliwood), ambos jogos de plataformas combinados com movimentos de precisão, tudo em 2D sendo o original com grafismo em 8 bits e a sequela num tom mais cartoon. Isto tudo com um skate debaixo dos pés.
Uma banda sonora sem mácula, apenas foco um problema que me pareceu ser de hardware, pois já me aconteceu noutros jogos, que é a distorção do som se pausarmos o jogo por algum tempo para irmos fazer alguma coisa quando temos a consola em modo docked.

Ambos os jogos são brilhantes, com um estilo de jogo muito parecido, tudo muito rápido, níveis curtos com obstáculos para transpor que se enfiam no caminho dos nossos combos e grinds, e que inicialmente tive alguma dificuldade em perceber que não eram background. A única diferença é que o jogo mais recente tem um modo manual que permite encadear todos os truques num só combo.
Concluíres cada um dos níveis nunca te parece inatingível, no entanto só para a versão mais simples de todos os truques, isto é, se eu não inventasse conseguia ir superando os níveis, atingindo poucos ou nenhuns dos objectivos para além de simplesmente chegar ao fim. Mas há centenas de truques diferentes, centenas de níveis, centenas de objectivos, porém cada vez que começava a complexificar acabava invariavelmente por me esbardalhar todo. Este é o clássico caso dum jogo casual, fácil de perceber, mas que te exige dezenas e dezenas de horas para criares a memória muscular para inconscientemente realizares truques diferentes ou atingires todos os objectivos. 
As recompensas que recebemos têm muito a ver com tudo isso, atingirmos os objectivos de cada nível, a complexidade dos truques que realizamos ou a precisão com que fazemos cada movimento. Nisso também é muito arcade.


Comecei pelo primeiro jogo, mas mal experimentei o segundo foi lá que me mantive. Parece ligeiramente mais difícil, mas também melhor, visualmente mais apelativo, com multiplayer (que não testei) e com outras opções de combos. Casualmente fui avançando pelos níveis, quase exclusivamente em modo handheld, que para mim é onde este jogo faz mais sentido, apenas ligando-a uma horita à dock para capturar imagem e pouco mais. 
É um jogo perfeito para a Switch. Temos um bocadinho passamos mais um nível, fazemos a grind diária ou aperfeiçoamos um nível.
Houve um colega no trabalho que me disse que este jogo parecia um jogo de telemóvel, e por pouco não lhe bati, mas pensei um bocado nisso antes dele dar duas cabeçadas no meu cotovelo e concedi que pode dar essa ideia de fora. Então passei-lhe a consola para a mão. 1 minuto depois estava esclarecido sem necessidade de violência física. É um jogo baseado em movimentos de joystick combinados com carregar em botões em momentos exactos. Este é um jogo irreproduzível num telemóvel. Está num campeonato completamente diferente e é importante para mim deixar isso claro.
A parte mais chata desta versão é que parece não haver maneira de mudar dum jogo para outro sem fechar um para entrar no outro. Embora seja vendido como sendo um jogo, são na realidade dois jogos completamente distintos até para a consola.

Sendo assim fiquei fã da simplicidade perfeita deste jogo. Consegue roubar-te horas e horas de cada dia, viciar-te em aperfeiçoar cada movimento, conseguir mais dois ou três pontos, passar mais um nível. Associa isso à possibilidade de poderes jogá-lo em qualquer lado e este jogo torna-se um achado!

  • Lançamento: 12 de Fevereiro de 2019
  • Plataformas: Nintendo Switch
  • Desenvolvedor: Roll7
  • Editora: Good Shepherd Entertainment
  • Nota Pessoal: 8,5/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Good Sheperd Entertainment