2019 Apr 09 / 15:05

Análise: Serious Sam - Tormental

Quando toda a gente andava a tentar a nova expansão do Enter the Gungeon eu andei a pedinchar este jogo. Pareceu-me uma versão mais ligeira e despretensiosa de Binding of Isaac, mas com tanta coisa a acontecer no ecrã como no primeiro jogo que mencionei. Tudo somado é boa diversão a preço aceitável.

Serious Sam: Tormental é um, preparem-se, top down, dungeon crawler, roguelite, twin-stick shooter, bullet hell… ou se preferirem um jogo parecido com Binding of Isaac. Neste jogo estamos presos na mente de Mental, o inimigo de Sam, e a nossa função, como esperado, é ir destruindo os sucessivos inimigos que nos aparecem. Como em qualquer outro jogo da franquia, a história não é o mais importante.
Sonoramente é competente, mas fiquei surpreendido com a forma como conseguem captar a essência do personagem Sam e introduzi-la neste jogo. Admito que isso não é o mais difícil, difícil é fazê-lo sem o tornar enjoativo num jogo que anda sempre à volta de repetir tudo múltiplas vezes.
Graficamente simples, estilo desenho animado, sem entrar em grandes aventuras. Algumas partes podem ser inclusive destruídas por bombas revelando novos adversários, chaves ou outros bónus. Não encontrei nada capaz de ser um exploit, mas havia secções que também não eram totalmente perceptíveis. Dou o exemplo dos buracos, pensava que podia cair neles, e só passado umas horas percebi que havia uma parede invisível que nos impedia de o fazer.

E o gameplay? É o esperado. Sinceramente não há muito a explicar. Tens diferentes cenários onde matas os inimigos que lá estão, passas ao seguinte, repetes. Há bosses no fim de cada nível, que não aumentam propriamente a dificuldade, apenas precisam de muito mais balas para serem derrotados. Vamos também encontrando armas e perks que podemos usar de forma a tornar a nossa vida mais fácil, mas de forma alguma a nossa qualidade de vida acompanha os saltos gigantescos na dificuldade de nível para nível. Mesmo sendo tudo gerado aleatoriamente, começas sempre no mesmo nível, com o mesmo cenário e inimigos de base, o que acelera o cansaço, e algumas das armas e perks que desbloqueamos ficam a anos luz de outras no que toca a utilidade, pelo que há jogos que logo à partida sabes que não vais conseguir chegar longe.
Há aqui uma discussão que vai começar a eternizar-se, e de forma alguma quero mexer na visão que os criadores têm do jogo, mas achei tudo um bocado injusto. Há muito pouco que retemos cada vez que morremos, logo pouco incentivo a jogar continuamente, e todos os adversários causam o mesmo dano. Estava à espera que os pequenotes causassem menos dano, mas não. Além disso cada hit remove 1/3 da nossa vida, se tocarmos nos adversários por distracção perdemos ¼ da nossa vida, se levarmos com uma explosão perdemos quase metade da nossa vida (isto se jogarmos com o Sam, outros personagens piora). O jogo é bastante difícil, mas superável se conseguires manter a atenção ou tiveres sorte com os itens que fores encontrando. O segredo é rolar ou saltar de forma quase permanente, nunca pares. No fundo, não há nada de realmente novo.

Em suma, não há nada de extraordinário no jogo, mas acho que o conjunto é bastante competente. Na minha opinião há espaço para equilibrar melhor o jogo, e creio que tal ainda pode acontecer, pois tem havido alguns updates nesta semana. Para quem gosta do género o jogo tem tudo e é divertido qb. Não esquecer que o preço também é justo e tens horas dum misto de diversão/frustração para aproveitar com o jogo.

  • Lançamento: 2 de Abril de 2019
  • Plataformas: PC
  • Desenvolvedor: Gungrounds, Croteam
  • Editora: Croteam Incubator
  • Nota Pessoal: 7/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Croteam