2019 Apr 26 / 17:02

Review: Mortal Kombat 11

  • Análise feita à versão de PS4

 

De volta à mais épica, violenta e brutal série de videojogos de luta. Não consegui deixar de reparar como está diferente. Agora com semelhanças ao título anterior da NetherRealm Studios, Injustice 2. É como frequentar um café, loja durante alguns anos seguidos e de repente muda a gerência, o nome, mas o serviço é no fundo o mesmo. É possível que Mortal Kombat tenha perdido um pouco a sua identidade. Ou será que não?

Durante a história não consegui evitar ficar desapontado. Antigos inimigos mortais agora são tão amigos que parecem ter andando juntos na escola a vida toda, personagens extremamente imponentes reduzidas à banalidade de um personagem de pouca importância, voice actings que inicialmente me fizeram imensa confusão mas que acabaram por entranhar, uma narrativa tão básica que me faz querer pesquisar por um "insulto" complexo só para contrabalançar. A apresentação da história tem qualidade cinematográfica e boa, tornando este modo de jogo mais fácil de tolerar. Infelizmente passamos mais tempo a assistir a estes cinemáticos do que em lutas.

Estou há dois minutos a tentar encontrar o adjetivo correcto para descrever o meu sentimento relativo ao combate do jogo. Não consigo lembrar-me de nenhum que esteja à altura, está mesmo muito bom. As animações estão excelentes, o som do impacto dos golpes tão satisfatório. Quando descobri um personagem cujo o gameplay eu gostasse mesmo, a intensidade de todos os sentimentos positivos que sentia multiplicou por 10. Só de escrever este parágrafo tou a ficar com vontade de ir jogar, está a ser dificil de me concentrar na escrita sem a minha mente deslizar e começar a pensar em novos combos.

Adicionaram um modo de jogos, Towers of Time semelhante ao Multiverse em Injustice 2. Consiste em várias torres temporárias onde os combates raramente são normais, por norma os oponentes têm sempre algo a seu favor como os seus golpes colocarem-nos em chamas causando-nos dano ao longo do tempo. A desvantagem chega a ser enorme. Tudo o que poderemos encontrar contra o nosso benefício poderá ser usado por nós também. Através de um item consumível antes da batalha também podemos adquirir punhos que deixam o adversário a arder, entre muitos outros. Cada uma destas torres oferece recompensas após completa.

A já muito antiga Krypt, agora um mini jogo em terceira pessoa. Encarnamos um personagem totalmente estranho, sem nome, livre de história, de certa forma uma página em branco para servir melhor o propósito de representar o jogador. De modo a avançar na Krypt temos de resolver puzzles e encontrar items como o martelo do Shao Kahn que nos permite partir algumas paredes, ou a venda de Kenshi que contem vestigios do seu poder e nos permite ver coisas que sem ela não nos seriam visíveis. Agora também tem a vertente de farm embutida. Nas caixas que abrimos não vamos encontrar apenas cosméticos ou artwork, também vamos encontrar itens consumíveis para usar nas Towers of Time e outras moedas de troca para abrir caixas com conteúdo mais valioso. A maior das caixas contém conteúdo aleatório e no final do dia podemos sempre pagar para voltarem as estar fechadas. Percebem o que eu digo?...Farm.

Apesar de sentir que em muita coisa Mortal Kombat 11 está mais suave que os seus antecessores, com alguns personagens novos que não parecem encaixar no universo violento de Mortal Kombat e o aspeto base de Sub-Zero que me faz lembrar o Pato Donald, continua a ser a minha série de jogos de luta favorita. Os cenários de combate são em grande parte magníficos visualmente. Se comprava o jogo a 60€? Não. Já há muito tempo que não concordo em pagar 60€ por um jogo de luta sobretudo quando é necessário pagar por personagens que ainda estão por lançar. Este é um desses jogos.

 

  • Lançamento: 23 de Abril, 2019
  • Plataformas: PS4, Xbox One, PC, Nintendo Switch
  • Desenvolvedor: NetherRealm Studios, QLOC, Shiver
  • Editora: Warner Bros Interactive Entertainment
  • Nota Pessoal: 8/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por UpLoad

 

Rafael "Gripe" Pereira


Fã de vídeo-jogos desde a infância. Prefere jogos de ação e RPG's e o seu amor pelos jogos aumenta quanto mais velho fica. Gosta de explorar o mundo dos jogos e partilhar as suas descobertas.