2019 May 10 / 14:20

Análise: Zombotron

Pedi uma chave de Zombotron meio por pena. Não é normal um jogo aparecer tantas vezes na rotação de pedidos de chaves, por isso olhei para o trailer que me fez lembrar qualquer coisa… sendo que depois percebi que essa coisa era já ter jogado o jogo numa versão flash há uma data de anos. Também percebi porque ninguém pedia chaves…

Em Zombotron vamos responder a um pedido de auxílio num outro planeta. O nosso herói já está por tudo, ou ajuda as pessoas ou aproveita o que sobrou da nava despenhada para vender. Win-win, certo? Obviamente que é errado. O planeta está cravejado do que pensava que seriam habitantes locais, alienígenas, mas não. Afinal passei o tempo a lutar contra zombies!! Zombies!! Qual a necessidade de lutar contra zombies noutro planeta? No pior dos cenários bastava serem mutantes, mas adiante que este jogo tem quase 10 anos e na altura era moda. Sim a história é pobre, e ainda sofre com algumas tiradas humorísticas mal conseguidas.

Graficamente muito bonito com o efeito de ter tudo desenhado à mão, só que esta surpresa inicial, que foi o que me levou a pedir o jogo, esgota-se rapidamente, e muito cedo percebemos que o que acaba por acontecer é confundirmos os planos do cenário, ou os elementos interagíveis com os não interagíveis. Esta miríade criativa também leva a que fiquemos presos em locais que devíamos ultrapassar facilmente, ou a complexidade dos cenários leva a que acabemos em locais dos quais não conseguimos sair.

A qualidade sonora é variável. Se a música é pobre, os efeitos sonoros são adequados, sem deslumbrar.

Contudo o que irrita mesmo são as mecânicas do jogo, e por norma é isso o que mais valorizo. A física do boneco e dos elementos, aliados à confusão que se torna o cenário complicam sobremaneira o que parece um shooter bastante simples. No papel a ideia é boa. Com o rato podemos apontar em qualquer direcção, e acertar um headshot faz realmente toda a diferença, até porque a munição é escassa e rapidamente percebemos que a maneira mais eficiente de jogar isto é perder um momento para apontar em condições. Podemos também usar múltiplas partes do cenário para matar inimigos, poupando balas, como fazendo com que caiam em buracos, ou fazendo uma ponte cair em cima deles. Agora, na prática não resulta assim tão bem, dado que toda esta diversidade torna os cenários complexos demais para que tudo encaixe. Basta que algo caia um pouco mais ao lado, basta o nosso salto afinal não chegar ao andar seguinte, quando parecia que chegava… algo parece sempre errado, os controlos parecem sempre imprecisos.

Além disso os inimigos são muito similares entre si, passamos muito do jogo a lutar contra minions para encher chouriço, para acabarmos a lutar contra um boss estupidamente mais forte, mas que mesmo assim pode ser derrotado usando algum exploit, como dispararmos contra ele dum local em que ele deveria conseguir chegar, mas afinal não consegue. Também o loot é pouco diverso, e funciona mais como uma maneira de apanhar mais algumas balas. Se bem que o espaço de inventário é tão pequeno que se calhar mais vale ser assim.

Na maior parte do jogo acaba por ser um jogo de plataformas simples, ou um run and gun shooter se assim preferirem, mas há secções de puzzle, que embora não sejam difíceis tentam introduzir alguma diversidade. Há também imensos segredos para descobrir, o que até acaba por ser giro.

Algo que acabou por ser extremamente divertido foi o uso de veículos. Passar por cima dos zombies foi muito mais satisfatório do que esperava, sendo que essas secções pecam por escassas.

Em resumo, eu estava mesmo a pedi-las. O grosso dos jogos que analiso são indies, e não podemos esperar que sejam todos bons. Por norma um jogo indie acaba por ser bom pois pode basear-se somente numa mecânica interessante e trabalhar sobre ela. Zombotron é um jogo cinzento. É antigo, não acrescenta nada de especial ao que já existe. Os movimentos não são fluídos é graficamente confuso de tal forma que nos leva a interpretar mal o que podemos fazer. Os boss são difíceis porque podem, e não gosto muito dessa diferença inexplicável de dificuldade. Posto isto, no geral o jogo até se come, mas cheira a velho. Vale mesmo a pena andar a jogar joguinhos meeh, quando podemos escolher melhor? Eu acho que não.

  • Lançamento: 22 de Abril de 2019
  • Plataformas: PC
  • Desenvolvedor: Ant. Karlov
  • Editora: Armor Games Studios
  • Nota Pessoal: 5,5/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Armor Games Studios