2019 Jun 13 / 11:43

Análise: Black Paradox

Black Paradox fez-me relembrar os shooters com naves da Taito que eu jogava na minha Game Gear quando estava a entrar na adolescência. Admito que foi esse saudosismo que me fez pedir uma cópia, contudo acabei surpreendido pelo jogo se jogar tão bem.

Black Paradox é um side scrolling shoot’em up de naves. A história é bastante simples, tens de apanhar 7 fugitivos… que fugiram. Para isso pegas na tua nave Delorean e aí vais tu. Há umas quantas referências à cultura pop dos anos 90, mas não te preocupes se não as apanhares. Estas incluem o tipo de música, sempre acelerado e agitado, que me enviou de volta para alguns salões arcade, em que eu não jogava porque não tinha dinheiro, mas via jogar muito jogo.

Tudo quanto é som é bem escolhido, e tudo quanto é gráfico também. Pixel-art detalhado, tal como estava à espera, este jogo casual combinado com este tipo de gráficos é a cara de grande parte dos indies que acabam na Switch, onde parece que se sentem como peixe na água.

A nível de gameplay acaba por ser um bocado o esperado. Tens a tua nave, destróis outras naves, no final de cada nível tens um boss. Há uns twists pelo meio, por isso vamos a eles.

Cada nível dá-te a opção de apanhares uma nova arma aleatória. Podes apanhá-la ou não, até porque não há real equilíbrio entre elas, algumas são claramente boas, outras são péssimas, e isso vai mexer significativamente com cada vez que jogas. Após derrotares cada boss também vais ganhar alguns bónus aleatórios, como um drone que executa uma de muitas acções, também aqui alguns são muito mais úteis que outros, ou um upgrade temporário às tuas características.

Para além destes upgrades temporários podemos desbloquear 4 slots para upgrades permanentes. Quer os slots quer os upgrades são adquiridos com moeda de jogo que vais ganhando consoante vais destruindo naves. Aqui há um problema, que os upgrades são adquiridos num sistema aleatório, isto é, depois de cada vez que morres podes ir procura-los à garagem, e de cada vez que lá vais encontras dois gerados de forma aleatória. Podes pagar para ir gerando mais, mas nada te garante que vais encontrar melhores. Ora cada upgrade tem características e níveis, quanto maior o nível, mais caro é o upgrade, assim muitas vezes vi o upgrade que queria no nível que não queria, outras vezes vi o nível que queria no upgrade que não queria.

Também há muito grind envolvido em todo este processo, pelo que gradualmente vais progredindo… embora a ritmo lento, mas não faz mal porque o jogo é bastante viciante, muito rápido de jogar e também casual o suficiente para o jogares em sessões bastante curtas.

Cada vez que morremos voltamos ao início do jogo, logo acabamos por repetir imensas vezes os primeiros níveis, que mesmo gerados aleatoriamente, a certa altura começam a aborrecer. Há uns mecanismos que tentam dar alguma variabilidade, como podermos equipar duas armas diferentes a cada altura, sendo estas geradas aleatoriamente, tal como os upgrades que ganhamos com os boss também são aleatórios. Isto permite conseguir combos bastante engraçados, quer por serem overpowered, quer pela sua gigantesca inutilidade.

Com isto, e sendo um jogo que tresanda a portabilidade, joga-se incomparavelmente melhor com o comando pro. Nunca tinha sentido uma diferença tão grande na precisão do movimento, se bem que ajuda a precisão nunca ter parecido o seu forte, havendo mesmo alturas que parece que não vamos acertar numa bala e acabamos por acertar.

Em jeito de conclusão, para um jogo tão repetitivo é bastante viciante, para um jogo tão portátil, joga-se muito melhor em docked. É bastante arcade, mas há um sistema de progressão lento e muito dependente de grind. Tal como o nome indica, o jogo é feito de paradoxos, mas tudo junto cria uma experiência bastante agradável que me divertiu por bastantes horas.

  • Lançamento: 3 de Maio de 2019 (versão Switch)
  • Plataformas: PC/Xbox One/Ps4/Nintendo Switch/iOS
  • Desenvolvedor: Fantastico Studio
  • Editora: Digerati
  • Nota Pessoal: 7,5/10
  • Analisado na versão para Nintendo Switch
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Digerati