2019 Jun 28 / 12:55

Análise: Void Bastards

Depois de me despenhar algumas vezes no Outer Wilds, achei por bem parar e experimentar algo diferente. A minha escolha acabou por recair em Void Bastards, e ainda bem que troquei, porque acabei por me divertir bastante com o jogo. O Game Pass anda a habituar-me mal...

Void Bastards é um jogo meio rogue like, meio jogo estratégico, meio first person shooter com gráficos a lembrar banda desenhada. História simples o suficiente para guiar o jogo sem o complicar. Somos um dos múltiplos prisioneiros liofilizados numa nave prisão algures no espaço. A nossa nave é assaltada por piratas espaciais que destroem o nosso sistema de comunicações, bem como todos os eventuais guardas humanoides. A nossa missão é encontrar os componentes para reparar o que foi destruído.

Sonoramente somos guiados pela mesma voz do “The Stanley Parable” em momentos de monólogo sempre genuinamente engraçados, mas que pecam por serem escassos, e não conseguem só por si salvar aquilo a que chamo ser espartano nos efeitos. Cada personagem tem duas ou três frases que repete ad nauseaum, que embora sejam engraçadas na primeira vez que as ouvimos, rapidamente se tornam repetitivas, algo que é multiplicado pelo pequeno número de inimigos em cada nível, o que faz com que estejamos sempre a lutar contra os mesmos, ouvindo ainda mais as mesmas pistas sonoras. Cada inimigo tem um som de passos único, algo que nos ajuda a perceber o que vamos encontrar em cada sala, e que também vem acompanhado por pistas visuais. O som de cada arma ou item é aceitável, mas está longe de deslumbrar, no geral acompanham o tom geral dos efeitos sonoros, a certo ponto começam a tornar-se irritantes. Sim, muitos dos efeitos parecem não ter outro propósito que não seja irritar. A música não é memorável, mas durante as lutas até se come, com aquele toque ao electrónico. Esperava mais das armas e explosões de cada inimigo, tenho de admitir.

Graficamente faz logo lembrar o primeiro Borderlands, e dado que passamos o tempo a recolher loot que nem malucos, carregando na nossa faceta de acumulador, essa ideia é permanentemente reforçada. O estilo de banda desenhada, com linhas pretas a delimitarem bastante cada estrutura encaixa bastante bem no jogo em si, mas as similaridades com Borderlands acabam aí, pois este jogo é somente um primo afastado.

O gameplay é bastante básico. Iniciamos num mapa ao estilo de Faster Than Light, com indicações visuais para onde nos devemos dirigir. O mapa deixa-nos escolher um caminho entre naves onde podemos ou não entrar para recolher itens. Cada nave tem inimigos e perigos que podemos ver no ecrã inicial, de forma a podermos escolher as armas a usar em cada uma delas. No mapa também conseguimos ver onde estão os piratas que nos perseguem, as baleias que destroem naves, ou os monstros espaciais que também nos destroem se nos apanharem. Há alguma estratégia na forma em que navegamos a nossa nave.

As armas em si não são nada equilibradas, algumas são bem mais úteis que outras, e de forma geral cada uma tem a sua utilidade, sendo cada uma mais adequada a cada tipo de inimigo.

Para navegar e sobreviver vamos recolhendo comida e combustível, que após as primeiras duas ou três naves deixam de ser um problema.

O nosso personagem funciona como um bem perecível, cada vez que morre outro é criado, cada um com as suas características, como tossir muito, alertando os inimigos, sendo baixinho, correndo lentamente, respirando mais oxigénio, etc. Algo positivo é que cada vez que morremos mantemos tudo o que já coleccionámos, o que dá uma sensação de progressão, tornando-nos cada vez mais fortes a cada morte.

Uma vez dentro de cada nave, inicia-se a componente de shooter, e essa não tem nada de especial, bem pelo contrário. Encarei sempre cada nave mais como um desafio estratégico que uma competição de tiro. Por vezes era muito mais eficiente e fácil evitar ou “fechar” os inimigos do que os matar. Há um sistema inteligente em que fechamos as portas à chave, sendo que os inimigos não as são capazes de abrir, o que possibilita a criação de compartimentos estanques onde “fechamos” os inimigos ou os seus spawn points. Isto foi feito de forma inteligente, tenho de admitir.

Também temos de fugir a câmaras de vigilância para não activar robôs vigilantes que têm um gostinho grande para nos arrumarem para o canto.

Resumindo e concluindo, Void Bastards é um jogo super divertido… mas somente por um certo tempo. Creio que devo ter jogado por quase 20 horas, mas a mecânica é repetitiva, e na parte final já só prossegui porque queria ver o fim. Quando já estava no último nível de dificuldade, pensei que estaria na última fetch quest, mas na realidade ainda havia mais. Para mim foi a gota de água. Um jogo que parecia diferente e interessante acaba por ficar ligeiramente arruinado pela ideia que temos que jogar mais tempo para artificialmente dar a ideia que há mais conteúdo dentro dele. Provavelmente teria jogado mais se o tivessem terminado na altura certa, mas parece que já me obrigam a continuar só porque sim, e nesse ponto o jogo deixa de fazer sentido. Mesmo assim foram uns streams bastante animados e manteve-me entusiasmado por bastante mais tempo do que é costume, pelo que não posso deixar de o recomendar.

  • Lançamento: 29 de Maio de 2019
  • Plataformas: PC/Xbox One
  • Desenvolvedor: Blue Manchu
  • Editora: ID@Xbox, Humble Bundle
  • Nota Pessoal: 7,5/10
  • Analisado na versão para PC