2019 Jul 15 / 12:40

Análise: Super Mario Maker 2

Quando pedi este jogo foi essencialmente movido pela curiosidade de perceber porque toda a gente dizia que era um jogo para se jogar durante toda a vida, já que para alguém que não conhece parece um simples jogo de plataformas que usa sempre as mesmas estruturas de forma repetida, produzindo conteúdo invariavelmente similar. Isto é a ilusão dos leigos. Super Mario Maker 2 é um jogo bastante completo, que não me admira nada que acabe na luta por melhor jogo do ano.

Super Mario Maker 2 é um jogo criativo de plataformas. Usa os assets de diversos mundos “Mario” para oferecer a possibilidade de criar níveis tão originais quanto a nossa imaginação o permitir.

Esta versão incluiu um modo história, que como em qualquer outro Super Mario baseia-se num acontecimento simples. O castelo da Princesa Peach foi destruído e temos de ganhar dinheiro para financiar a reconstrução. Para ganhar esse dinheiro temos de passar 100 níveis diversos, originais e divertidos, que nos dão dinheiro mais que suficiente para pagar todas as estruturas. Os níveis são de dificuldade variável, mas de forma geral os mais difíceis estão mais para o fim, o que nos dá tempo para absorvermos as mecânicas.

Música e gráficos sempre associados ao mundo Mario que jogamos ou decidimos usar na construção dos níveis, essencialmente aqui está tudo como imaginei e com a qualidade a que os exclusivos Nintendo nos habituaram.

Não esperava dizer isto mas, para mim, o modo história sozinho já vale o valor pedido pelo jogo. Não vejo muita gente falar disto, mas é admirável ver a criatividade dos níveis quando não estão pensados em sequência, isto é, quem os criou pôde libertar toda a sua criatividade sem nenhuma restrição e o resultado é surpreendente. Niveis simples, divertidos e bastante originais, que conseguem sem o toque tryhard manter-nos entretidos talvez perto de 10 horas (sempre para menos que isso).

É essencialmente essa a diferença dos níveis da história para os níveis criados pelos utilizadores, o grau de complexidade. Quando vamos aos níveis comunitários, mesmo os mais simples, têm um twist aparentemente desnecessário, para dar a entender que se usou uma mecânica inteligente, outros são só difíceis porque sim, ou usam um grau de complexidade estratosférico só para nos manter às voltinhas. Não encontrei nenhum nível comunitário que me desse aquele prazer puro que me deram bastantes no modo história, mesmo assim é impressionante ver o que é possível fazer com todos os assets que o jogo nos oferece. Encontrei níveis duma inteligência atroz, duma dificuldade que roça a malvadez, ou com uma colocação de itens tão precisa que dá vontade de erguer estátuas a quem tirou algum do seu tempo para os construir. Para estes níveis o melhor é mesmo desactivar os comentários, pois estão tão bem feitos que há múltiplos elogios em todo o lado, que acabam por dificultar imenso a travessia dos obstáculos. Também achei complicado encontrar os níveis que queria, faltando algumas formas de pesquisa, dificuldade ligeiramente mitigada pelos tags que cada nível tem.

Podia ter esta análise lançada há vários dias, mas tenho de admitir que lutei imenso com a ferramenta de criação, não porque fosse muito complexa ou mal estruturada, bem pelo contrário, mas porque não tenho qualquer vocação para construir níveis. O que vale é que nos oferecem um tutorial que pode ser tão completo como desejares, oferecendo-te conhecimento bastante aprofundado para te ajudar no início da tua caminhada. Eu fui vendo todas essas lições e teoricamente sinto-me agora muito melhor preparado para fazer níveis, mas mal tentei nunca tive criatividade para mais que um ou dois níveis simples, não muito bem aceites pela comunidade. Posto isto a interface é bastante simples, e de forma geral deixa-nos usar todos os assets em qualquer lugar. Também é possível criar em modo cooperativo, mas nunca testei essa funcionalidade.

Online nunca tive qualquer problema em jogar os níveis sem os descarregar, sem me aperceber de qualquer lag ou framedrops, mesmo que jogasse com internet sofrível, bem pelo contrário sempre que tentava jogar algo em co-op online todo o processo era para esquecer. Lag gigantesco e o jogo a correr em 5 ou 6 frames por segundo, ou seja, completamente injogável. Se é para isto que procuram o jogo, esqueçam. Simplesmente não aconselho, e poupam já algumas irritações.

Para quem, como eu, não se importa muito com esse detalhe, tudo o resto compensa sobejamente esse problema.

Tentei jogar isto com o meu filhote, mas embora ele já perca muito tempo de volta dos jogos de vídeo, percebi que este tipo de plataformas ainda parece complexo demais para ele. É uma questão de hábito, e provavelmente já é duma geração que se habituou aos mundos abertos em 3D e não acha tanta piada a este tipo de jogo, pelo que nem se esforçou…

Assim tive em mãos um jogo ao qual equacionei durante muito tempo dar nota 10 até chegar ao modo online. Esse modo vive muito da comunidade, e por vezes essa gente é estranha. Encontrei um número considerável de níveis com excelentes avaliações que me pareceram somente medianos, ou pouco divertidos e não tenho opção de os diferenciar dos outros sem os jogar. No fundo, tudo o que tem de bom roça a perfeição, tudo o que tem de mau não me incomodou muito. Mais um jogo imperdível para a colecção da Switch.

  • Lançamento: 28 de Junho de 2019
  • Plataformas: Nintendo Switch
  • Desenvolvedor: Nintendo
  • Editora: Nintendo
  • Nota Pessoal: 9/10