2019 Jul 30 / 10:51

Análise: Dragon Quest Builders 2

Não sei como é que este jogo me agarrou tanto, mas em tão pouco tempo fiquei tão viciado em Dragon Quest Builders 2 que acabei por tomar a decisão de comprar um powerbank, já que a autonomia da Switch em modo portátil dava a sensação que se esgotava em 5 minutos, porque o jogo é tão divertido que nem deva pelo tempo a passar até me aparecer o aviso de bateria fraca.

Em Dragon Quest Builders 2 o Culto das Crianças de Hargon destruíram toda a civilização. O nosso trabalho é criar tudo de novo… com a ajuda dum amigo improvável, Malroth, o NPC que nos segue para todo o lado, ajudando-nos nas diversas tarefas.

Um mundo que faz lembrar Minecraft na sua aparência (sinceramente não o consigo descrever doutra forma) mas com NPCs vivos e divertidos, genuinamente interessantes e distintos, que de certa forma são o que nos faz avançar no jogo, já que são eles que nos vão dando todas as missões, que embora sejam meras fetch quests, funcionam como um tutorial gigantesco que nos mostra novas construções e mecânicas, que nos leva a novos pontos das ilhas, e nos faz descobrir o mundo.

Falando em ilhas, o jogo divide-se numa ilha central, Isle of Awakening, onde somos livres de libertar toda a nossa criatividade de construção, e algumas ilhas periféricas, onde na prática as histórias se vão desenrolando.

É nas missões de história que desbloqueamos as estruturas para usar na “ilha Mãe”, e é também ao concluirmos cada história principal que conseguimos trazer mais aldeões para a nossa comunidade. Sim, muita da diversão passa por gerir a nossa comunidade, satisfazendo as suas necessidades sob a forma de pequenas missões, que são posteriormente recompensadas com pontos de gratidão que podemos usar para fazer upgrades ao nosso vilarejo que por suas vez traz mais ajudantes, nos dá acesso a mais estruturas que podemos usar e melhora as competências gerais da nossa comunidade, que a certo ponto já criou sinergias para se manter a funcionar praticamente sem a nossa intervenção.

Não sei bem porque gostei tanto do jogo, já que tudo parece tão repetitivo enquanto estou a escrever, mas estamos sempre a fazer algo novo, a ver a nossa comunidade a crescer e a satisfazer o nosso lado acumulador de tralha, já que não precisamos de ter especial cuidado em gerir o nosso inventário, dado termos espaço para tudo e mais umas botas. Tudo tem um charme muito próprio, a maioria das personagens são interessantes e em todos os recantos há a possibilidade de encontrar algo que dá gosto de explorar, sendo que podemos inclusive encontrar uma data de segredos.

Esta vontade de explorar fez-me avançar muito mais do que o jogo me mandava, o que criou situações engraçadas, pois sempre que encontrava um NPC antes do tempo, o jogo não me deixava interagir com ele, ou não disponibilizava maneira de cumprir a sua missão, nisso o jogo tem uma estrutura muito rígida, e mesmo algumas das missões principais estão dependentes de missões secundárias. Aprendi isso da pior forma, mas o segredo acaba por ser simples… depois de o descobrirmos. Se sentirmos que estamos presos, basta irmos procurar outra missão, provavelmente será essa que nos deixará concluir a que anteriormente não conseguimos.

Estou aqui a debitar texto na exploração e construção, mas ainda nem falei na componente de batalha, provavelmente porque deixa algo a desejar. Consiste simplesmente em button mashing, já que mesmo algumas habilidades que vamos adquirindo demoram a carregar, e simplesmente fazer spam de ataques básicos é muito mais eficaz. Aqui Malroth volta a ter um papel fundamental pois é muito mais forte que nós, um mero construtor, e de vez em quando ele é que acabava por me ir salvando, não que o jogo seja difícil, mas porque somos realmente fracotes. Mesmo as hordas que vão atacando o nosso vilarejo são relativamente simples de suster com a ajuda de todos os aldeões, que esporadicamente ficam perto de morrer, mas nunca vi nenhum ser destruído. Muitas vezes acabei por fugir ao combate, não por me sentir ameaçado, mas porque as missões eram muito mais interessantes.

Lutamos contra muitos monstros bastante criativos e originais, mas nem todos são nossos inimigos. Alguns ignoram-nos, outros são mesmo nossos aliados.

Depois de terminarmos a missão principal da primeira ilha desbloqueamos o modo co-op online, que não gostei especialmente. É interessante, mas não é um game changer como na maioria dos outros jogos, e não tornou a minha experiência mais divertida ou apelativa. Faz falta co-op local, até porque o meu filho estava sempre babado a olhar para mim enquanto jogava, mas só o vou deixar jogar agora, depois de ter o material suficiente para a análise.

Outra coisa interessante é a possibilidade de jogar em primeira pessoa, embora na generalidade tenha preferido jogar em terceira, mesmo considerando que o controlo da câmara é meio esquisito, proporcionando planos estranhos de tempos a tempos, mas nada que estrague a imersão ou experiência.

O que é que acaba por ser notório são os framedrops esporádicos que o jogo sofre, especialmente no modo docked (no meu caso), mas mais uma vez eu não me chateei nada com isso.

É engraçado, já joguei jogos similares e nunca fiquei viciado num como fiquei agora. É sempre assim que me agarram, quando menos espero. O charme de cada missão, cada personagem, o carinho dedicado à criação de cada personalidade tornam este jogo numa pérola a não perder se tiveres Switch ou PS4. São horas infindáveis de exploração, construção e, melhor que tudo isso, diversão que este jogo nos oferece e acabo por dizer que o recomendo vivamente.

  • Lançamento: 12 de Julho de 2019
  • Plataformas: Nintendo Switch/PS4
  • Desenvolvedor: Square Enix
  • Editora: Square Enix, Nintendo
  • Nota Pessoal: 9/10
  • Analisado na versão para Nintendo Switch
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Nintendo Portugal