2019 Aug 11 / 17:23

Análise: Songbird Symphony

Quando me comecei a dedicar com mais atenção ao mercado Indie, percebi que de tempos a tempos apanhava um jogo que me dava algum trabalho a classificar, não percebia qual o seu público alvo, pois as suas características pareciam afastar o jogo de qualquer tipo de nicho de mercado. Songbird Symphony entra nesse grupo, mas dado que tecnicamente tem pouco a apontar fez-me perceber a que nicho de mercado se dedica… dedica-se aos jornalistas que têm de o analisar e fora desse meio o que oferece não é assim tão especial.

Na sua essência Songbird Symphony é um jogo de plataformas, mas na prática tenta reproduzir uma data de géneros, pois tem puzzles, elementos de RPG e momentos de “batalha” onde temos de acertar em botões específicos ao ritmo da música.

A história é bastante simples. Birb é um pássaro que não sabe quem são os pais, e sente que não pertence ao mundo onde está incluído. Parte então numa demanda para descobrir a sua história e, ao mesmo tempo, descobrir o seu lugar no mundo. Para isso conta com a ajuda dum mocho, mas primeiro tem de reparar uma máquina que supostamente irá encontrar os seus pais. A maneira de a reparar depende de notas musicais que Birb terá de aprender após contacto com diversas espécies de pássaros.

Graficamente deslumbrante quando olhamos ao que fizeram com o pixelart, musicalmente ainda melhor, mas é isso que se espera quando um jogo depende tanto da música no seu gameplay.

Mas isto é conversa técnica, porque quando chegamos ao jogo a mensagem é antagónica.

De certa forma classifico este jogo como um jogo de ritmo. Temos que acertar no botão certo no segundo certo. Ao início isto é relativamente simples, pois cada nota corresponde a um botão, mas consoante aprendemos mais notas tudo começa a ficar mais complexo. Isto faz o jogo ser difícil? Sim, mas se quiser ser picuinhas isso é uma ilusão, pois na realidade parece não existir forma de perder. Ora, cada música que jogamos vai sendo mais difícil com o seu decorrer, o incremento de dificuldade é tal que a certo ponto me limitava a uma de duas hipóteses, ou escolhia um ou dois botões e tentava acertar só nesses, ou chegava a um ponto que parecia uma galinha epiléptica a carregar em botões ao calhas. Aparentemente não fazia diferença a quantidade de vezes que falhava, que mesmo com a classificação mais baixa eu aprendia a nova nota da mesma forma, ou ganhava a batalha tal como se tivesse a classificação máxima. Assim sendo o sistema de classificação parece apenas querer introduzir algum replay value ao jogo.

Os puzzles também são bastante simples, e não acrescentam grande dinamismo ao jogo. Parece que estão lá só para cortar alguma da linearidade, pausar um bocadinho o jogo, mas sem propósito aparente. O componente de plataformas é um bocado complementar aos puzzles, não esperem um Super Mário.

Depois eu tive um problema super irritante, o jogo simplesmente parava de tempos a tempos durante uns segundos, algo que me dava vontade de atirar a Switch ao tecto, mesmo extremamente frustrante. Curiosamente fui pesquisar se era problema comum, mas não vi nada sobre isso, espreitei vídeos e não vi ninguém a sofrer algo tão exacerbado como eu. Ainda pensei que fosse algum problema do cartão de memória, mas todos os outros jogos correm bem. Mesmo assim mudei para o disco e o problema manteve-se. Não encontro evidência que fosse um problema geral, mas se for, é deal breaker, sem dúvida.

No teste do filhote o jogo também não passou, pois até ele teve o mesmo problema que eu, ou não dava qualquer desafio, ou dava um desafio insuperável, pois mesmo percebendo que não há forma de perder, ninguém gosta de jogar ao calhas.

Então Songbird Symphony é um jogo tecnicamente exemplar. Parece feito para receber crítica favorável, mas na prática parece não chegar a lado nenhum de forma competente, e embora eu lhe vá dar nota positiva, pois é algo a que sinceramente não posso fugir, este é um jogo que não recomendo.

  • Lançamento: 25 de Julho de 2019
  • Plataformas: Nintendo Switch/PC/PS4
  • Desenvolvedor: Joysteak Studios
  • Editora: PQube Limited
  • Nota Pessoal: 7/10
  • Analisado na versão para Nintendo Switch
  • Cópia para análise gentilmente cedida por PQube Limited