2019 Sep 06 / 12:21

Review : Decay Of Logos

Role-Playing-Games” são a fundação do meu historial de jogador, já completei dezenas de RPGs, todos distintos, com histórias boas e más, com mecânicas excelentes e horríveis, cenários cheios de vida e completamente desabitados. Mas o que conta realmente são as experiências que cada um de nós temos nestes títulos, seja RPG online ou singleplayer, cá por mim estou sempre aberto para novas experiências, e como dizia Fernando Pessoa – “Sentir Tudo de Todas as Maneiras”.

Primeira vez que ouvi falar deste jogo, não tinha a mínima ideia que tinha mão nacional no desenvolvimento, de início fiquei bastante contente por saber que temos conteúdo a ser publicado internacionalmente, mas também fiquei bastante preocupado por causa do género de jogo e como iria ser abordado em termos de gameplay e história. A preocupação foi crescendo ao saber que continha elementos estilo Dark Souls e Breath of The Wild, alerta vermelho sem hesitação. Quando é que vamos parar de tentar ter mais jogos “Souls-Like”? Escusado será dizer que tivemos uma mão cheia de falhanços desde que Dark Souls 3 saíu e nenhum desses títulos teve ponta por onde pegar. Vamos lá ter dois dedos de testa e deixar esse “estilo” para a FromSoftware.

Decay of Logos consegue pegar no tema de Breath of The Wild e com uma pitada daquela sensação de injustiça que todos os “Souls Games” têm, só para tentar criar algo novo que valha a pena explorar.

Somos literalmente empurrados para uma cutscene com muito pouco ou nenhum contexto sobre o que se passa ou o que vamos fazer, e continuando a parte do pouco contexto, iniciamos o jogo com o nosso protagonista, Ada, a andar numa aldeia já em chamas e a parar perto de duas pessoas supostamente já falecidas, ajoelhando-se. Quem são? Família? Amigos? Quem sabe? Acaba sendo bastante difícil ficar envolvido na história quando não há antecedentes nenhuns.

 

O tópico da pouca informação continua com o suposto parceiro que será uma espécie de Alce, também não existe explicação de como estes dois se tornaram companheiros e de como será a aventura entre eles, não vejo motivação para além da sobrevivência nestes cenários vagamente construídos e bastante empenhados em brutalizar e estraçalhar o protagonista.

O combate é que me deixou bastante frustrado, tempos de resposta extremamente altos, seja com teclado e rato ou comando, ainda por cima quando se tem elementos de jogos que mencionei acima, é importante conseguir ter resposta imediata após a introdução de qualquer comando, e, só para colmatar com a cereja no topo do bolo, os ângulos da camara só dificultam o combate ainda mais, a complicação para gerir enquanto somos atacados por trás.

Será que podemos voltar ao nosso companheiro Alce? Onde é que ele anda? Não consigo montá-lo quando eu pretendo? É deixado para trás numa certa zona do ambiente, e por muitas tentativas que fizesse em chamá-lo, acabava sendo ignorado e não conseguia fazê-lo aparecer para colocar itens que posteriormente começavam a desaparecer sem razão aparente.

Embora tudo pareça problemático, existe algo que realmente está bem conseguido, a narrativa a partir do ambiente, embora exista muitos NPCs que usam o diálogo para transmitir a mensagem, o ambiente faz esse trabalho de forma clara, poupando assim largos minutos de diálogo e tornando a experiência de exploração mais recompensadora.

O último prego no caixão será os tempos de carregamento das áreas e objetos, cair no vazio nunca é divertido, especialmente quando já existem outros problemas que infelizmente já estamos a lidar. A maioria destes problemas são as bases de qualquer jogo, não tenho realmente a certeza qual foi a razão do caos que é este título, não existia prioridades na equipa de desenvolvimento? Má gestão ou pouco tempo de testes? Se as mecânicas estivessem sólidas e realmente dessem o sentimento de estar a jogar algo como Breath of the Wild ou um Dark Souls como fazem questão de mencionar, por mim até perdoava muita coisa problemática, mas infelizmente nem isso.

Sou apologista de que se não está bom o suficiente é voltar atrás, adiar o lançamento e voltar a rever as coisas mais básicas que estão com problemas e ir escalando a partir daí com as respetivas equipas. Temos mercado de imprensa suficientemente grande para ser possível pedir a algumas Outlets para testarem o jogo e darem uma lista com os problemas e trabalhar com base nisso. Quem pagou pelo jogo não devia de fazer o trabalho de Game Tester ou Quality Assurance, mesmo se fosse o caso de Early Access, que eu nunca foi a favor, tenho a certeza que ainda vale a pena meter mãos à obra e arranjar todos os problemas.

  • Lançamento: 30 de Agosto 2019
  • Plataformas: PC/Xbox One/Nintendo Switch/PS4 
  • Desenvolvedor: Amplify Creations
  • Editora: Rising Star Games
  • Nota Pessoal: 4.5
  • Cópia para análise cedida pela Editora

 

João "JLCfreitas" Freitas


Técnico de Redes e Sistemas, amante de jogos de terror e fanboy da Blizzard. Achievement Hunter de noite. Speedrunner de dia.