2019 Sep 09 / 13:06

Análise: WRC 8

Fiquei surpreendido com o nível de interesse existente em torno do WRC 8, algo que tornou cada um dos meus streams bastante mais dinâmicos. Tinha jogado o 6 há relativamente pouco tempo e achei que o jogo estava longe do seu concorrente directo, o Dirt. Efectivamente esta entrada na franquia é um salto qualitativo notório quando comparado com os anteriores.

WRC 8 é um simulador do campeonato de Rally. É muito mais um simulador que um jogo arcade, arrisco-me a dizer que houve pouca preocupação em tornar o jogo acessível a jogadores casuais como eu, e muito mais em criar um ambiente propício para que os fãs mais hardcore conseguissem evoluir e divertir-se melhorando os seus tempos segundo a segundo.

Graficamente o jogo melhorou como da noite para o dia, contudo ainda noto muitos truques, em alguns casos muito mal amanhados, com os cenários mais próximos da pista, como algumas das pedras que parecem feitas de esferovite, e o pouco público que vai aparecendo que parece inteiramente feito de cartão. Joguei o jogo com a minha 1070 no PC, gráficos em configurações bastante altas, e na minha 2060 no portátil, com especificações ainda mais puxadas, e na segunda os efeitos eram visivelmente melhores, com efeitos de luz muito mais interessantes, e com efeitos como o pó ou a chuva, que já eram muito bons no PC, claramente melhores no meu portátil. Um novo modo que nos colocava a correr em condições extremas, de noite, durante uma tempestade com o carro todo rebentado era impressionante em ambos, mas claro, o boost gráfico na configuração mais potente dava aquele extra de realismo que se começou a tornar bem vindo. Estranhamente, e embora o Shadowplay não fosse bom a detectá-lo, o jogo parece sofrer framedrops em situações estranhas, algo que não é agradável em situações que requerem muita precisão na sua abordagem.

O que dizer do som? Impecável. Até os efeitos do inexistente público, que era retratado como se efectivamente estivesse lá. Nada a apontar.

Quando entrei no jogo apeteceu-me chorar, porque para aferir o nosso talento para a condução espetam-nos a conduzir um dos carros mais rápidos sem qualquer copiloto, o que levou a um rácio de praticamente um despiste por curva, algo que mesmo assim me colocou no nível intermédio de jogo. Felizmente isto muda com a adição do copiloto, e após o habitual tempo de aprendizagem de como se conduzem os diversos carros com os quais vamos jogando.

É positivo começar nos carros mais lentos, pois mesmo assim perdoam um bocado mais os nossos erros, num jogo em que praticamente nada é perdoado. Uma travagem mal calculada, uma tentativa de corrigir uma trajectória a meio duma curva, um salto um bocado fora do local certo acabam invariavelmente connosco fora da pista e com a consequente penalização que nos tira da discussão da prova. Aqui não gostei do respawn automático, que por vezes demorava anos a colocar-nos na pista, outras vezes reagia a uma mínima saída de pista, da qual recuperaríamos facilmente quase sem perda de tempo, com um respawn imediato e mais 9 segundos de penalização. Seria preferível retirar o automático, e considerar tudo manual.

A sensação de velocidade, mesmo nos carros mais lentos, é assombrosa. Há momentos que não fazemos ideia como é possível passar tão rápido em estradas tão estreitas, com tantas árvores em cima de nós, ou no topo duma montanha sem qualquer protecção à beira dos precipícios. Faz-nos pensar como não morre gente com fartura. Quem sofrer de claustrofobia terá bocados em que pode passar mal, porque é mesmo impressionante. Também foi nestes momentos que me apercebi doutro erro que se revelou comum, a detecção de colisão tem imensas falhas que levam a acidentes engraçados, muitas das vezes excessivamente aparatosos, mesmo que estejamos praticamente parados. Considerem alta taxa de basófia, mas não posso deixar de mencionar isto.

A reprodução gráfica dos carros é exemplar, bem como dos efeitos atmosféricos, mas não posso deixar de mencionar a decepção que tive com o Lancia Stratos, um dos carros históricos deste jogo, que parece uma caixa de sapatos com rodas. Curioso quando os que esporadicamente aparecem perto da berma são exactamente como os imagino.

A sensação de condução está bastante melhor que em jogos anteriores, resposta mais directa, sensação de controlo do carro mais real. A diferença entre cada carro ou tracção é notória, e até um erro na escolha de pneus vai-te penalizar bastante. Gostava de ter um tido um volante para testar isto, mas não se pode ter tudo. Este jogo pedia mesmo… acho que faria bastante diferença.

Então compro este ou espero pelo Dirt? Se gostas de jogos de condução irás gostar deste. Graficamente não é o Forza Horizon 4, mas tem qualidade gráfica nos sítios que importam. Já em sensação de condução dá-lhe quinze a zero, e pareceu-me muito mais jogo que as entradas anteriores na franquia.

  • Lançamento: 5 de Setembro de 2019
  • Plataformas: PC/Xbox One/PS4/Nintendo Switch (Para Nintendo Switch apenas em Novembro)
  • Desenvolvedor: Kylotonn
  • Editora: Bigben Interactive
  • Nota Pessoal: 8/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida por UpLoad Distribution