2019 Sep 11 / 12:00

Análise: Astral Chain

Astral Chain é quase tudo o que eu estava à espera, sendo que nalguns aspetos é um pouco mais e noutros um pouco menos. Mas uma coisa é certamente, mais uma prova de que os jogos não têm de ser em mundo aberto com demasiado conteúdo adicional para serem uma obra exemplar.

A história foi algo de incrível. Somos um de dois irmãos gémeos, que integram a força policial e que rapidamente são promovidos a uma equipa especial devido ao alto nível de compatibilidade que têm com as Legions, o que nos permite lutar contra as Chimeras, as criaturas invasoras vindas de uma outra dimensão que bem não nos querem de certeza. Posso dizer (e vejam isto como uma opinião pessoal) que em vários pontos a história vai beber a Neon Genesis Evangelion, como por exemplo este mesmo aspeto da sincronização com as Legions. Houve muita coisa que desde o início era previsível que iria acontecer, outras que não tinha o mínimo palpite, e para meu gosto pessoal, existem umas quantas pontas soltas abertas a teorias.

O jogo está dividido por missões e cada missão tem o seu fragmento de história, assim como áreas acessíves e objetivos opcionais. Atenção, não é por uma área integrar uma missão que mais tarde não vamos voltar a passar por lá numa outra missão.

Sendo nós um membro da polícia, não vamos apenas lutar contra as Chimeras e grupos de criminosos. É também o nosso dever fazer investigação dos casos, encontrar pistas e decifrar intenções dos vilões. Por norma estas investigações ocorrem no início das missões, e são terminadas por um questionário feito por um parceiro, questionário este que se falharmos não nos impede de prosseguir a história, até porque a cada resposta errada que damos somos automaticamente corrigidos.



Os controlos que eu achava que seriam bastante confusos, por termos de controlar duas personagens, revelaram-se na verdade bastante simples e de uso fácil. Controlamos maioritariamente o nosso personagem e em parte a Legion, sendo que esta, na sua maioria luta por si. Podemos fazê-la saltar para cima de um inimigo, como puxá-la até nós para a retirarmos do perigo, também podemos controlá-la manualmente para usar a corrente para nossa vantagem, como por exemplo, imobilizar um inimigo. É importante entender que o jogador e a Legion formam uma equipa e podem sincronizar ataques e aceder a novos combos estilosos e de alta potência.



Cada arma e cada Legion servem um propósito. O jogador pode sem dúvida alguma tomar preferências, mas por vezes o uso do equipamento adequado a cada situação acaba por ajudar imenso o progresso. Nalguns casos, fora de combate somos mesmo obrigados a utilizar uma Legion específica para conquistar o objetivo, quer seja ele rastrear alguém ou mover algo pesado, entre outros.

A parte artística do jogo está sem dúvida muito boa, pondo de parte o voice acting em inglês que tem pouco impacto em alturas importantes e o fato de o nosso personagem ser mudo. Porquê que neste jogo o personagem ser mudo é um bocado tosco? Porque no início do jogo temos de escolher qual dos irmãos vamos utilizar, e o que não escolhermos vai falar sempre, ou seja, ambos têm falas gravadas. Os gráficos são estilo anime, acredito que não vão ao encontro com o gosto de todos os jogadores, mas se olharmos para os cenários, extremamente bem construídos, com cores muito chamativas concerteza que vamos concordar que é um dos jogos mais bonitos na Nintendo Switch.
O que mais me agradou nesta secção foi a banda sonora, está realmente incrível e variada. Encontramos desde música de orquestra com coros lindos de se ouvir que me fazem arrepios na espinha e deixam os meus pelos todos eriçados, como encontramos música eletrónica que nos faz bater o pé sem darmos por isso. Até rock comercial o jogo tem. Apesar de nada disto ser produção minha orgulho-me muito desta produção de alta qualidade.



Para quem gosta de jogos de acção este título é uma excelente opção e um tanto ou quanto inovador dentro do género. Presta atenção a pequenos detalhes de pouca importância mas que tornam a experiência um pouco mais real. Não tem uma quantidade absurda de conteúdo, portanto sejas um jogador com muito ou pouco tempo para jogar vais conseguir ver o final do jogo ao fim de cerca de 20~25 horas.
Recomendo vivamente visto que esta é sem dúvida uma experiência a não perder.

 

  • Lançamento: 30 de Agosto de 2019
  • Plataformas: Nintendo Switch 
  • Desenvolvedor: Platinum Games
  • Editora: Nintedo
  • Nota Pessoal: 9/10
  • Cópia para análise gentilmente cedida pela Nintendo Portugal

 

Rafael "Gripe" Pereira


Fã de vídeo-jogos desde a infância. Prefere jogos de ação e RPG's e o seu amor pelos jogos aumenta quanto mais velho fica. Gosta de explorar o mundo dos jogos e partilhar as suas descobertas.