2019 Sep 27 / 13:19

Análise: Gears 5

Se se lembram da minha análise ao Gears of War 4 sabem que não sou grande fã da franquia, e quando comecei a jogar Gears 5 pensei logo “mais arroz”, mas na verdade para além do arroz juntaram uns quantos acompanhamentos que tornam o jogo muito mais rico. Não esperem vir jogar o God of War da Xbox, mas fiquem com a certeza que é uma pedrada no charco para achocalhar o marasmo que eram os jogos da consola ultimamente.

Gears 5 segue a tradicional receita dos cover shooters em terceira pessoa, mas com um ligeiro twist que falarei mais à frente. Desta vez jogamos com Kait que procura respostas sobre o seu passado, todo o jogo acompanhada por Del e pelo muito útil robô chamado Jack que executa um punhado de diferentes acções durante toda a trama. Continuamos a combater a Swarm, inimigo que acho muito menos interessante que os Locust, mas que servem perfeitamente para levar uns tiros no bucho. A história não ganhará um Oscar, mas é segura, não arrisca, não decepciona.

Graficamente impressionante, nível de detalhe muito minucioso, num jogo onde raramente apanhei atalhos para poupar trabalho na optimização. Paisagens super realistas e credíveis, sem exageros tradicionais nos jogos pós apocalípticos. Expressões faciais do melhor construído que já apanhei, com a sincronização labial a corresponder praticamente sem falhas com o diálogo. O próprio diálogo é exemplar. Os actores fizeram um excelente trabalho, e o jogo realmente é capaz de traduzir as emoções de cada situação.

Também o som merece rasgados elogios. Adorei a banda sonora e o som de cada uma das armas. Quem jogou outros jogos da franquia também sabe que se vive muito dos efeitos atmosféricos, e mais uma vez este jogo está cheio de tempestades sublimemente representadas em todos os planos.

Tecnicamente Gears 5 é um dos melhores, se não o melhor jogo que alguma vez joguei, até porque não tenho acesso aos exclusivos SONY, também esses optimizados para apenas um sistema.

Então e acção? Tirinhos e tal, como é? Bastante bom. O primeiro capítulo do jogo foi uma decepção. Completamente decalcado do jogo anterior pensei imediatamente que iria estar novamente 15 horas a avançar de cobertura para cobertura, a disparar detrás de qualquer peça do cenário. Pura ilusão. Mal começamos a controlar Kait começamos a perceber que este jogo é diferente. A primeira vez que uma das bichezas destruiu a peça de cenário que me protegia e fui obrigado a mudar de cobertura, não para avançar no corredor, mas para não ficar tão exposto, foi uma surpresa maior do que o favor daquela pessoa que nunca esperarias que te ajudasse.

Para falar a verdade, nem sempre isto acontece, boa parte do cenário está lá fixo como sempre, mas irás perceber que, invariavelmente, o melhor local para estares a cada momento parece ser sempre capaz de ser destruído, por isso terás de o usar com parcimónia para evitar que os inimigos to destruam, obrigando-te a procurar soluções sub-óptimas para enfrentar cada situação.

Estão agora a pensar, “então, mas continuas a esconder-te, apenas o tens de fazer mais vezes”, de certa forma sim, mas acabas por não usar o sistema habitual de cobertura que automaticamente te “cola” a cada estrutura, eu acabei por apenas usar o cenário para me ir escondendo e passei o jogo como se fosse um shooter normal, praticamente usando o sistema de cobertura para saltar alguma parte do cenário, ou para usar o sistema de slide que nos levava mais rapidamente para cada parte do cenário. Na prática o jogo fica incomparavelmente mais fluído e dinâmico, com poucas pausas numa luta onde estarás sempre em movimento.

Fui acompanhado por Del sempre como NPC, nunca joguei com outra pessoa online. De forma geral ele porta-se bem. É mais uma esponja para balas, o que se entende, mas é bom a ajudar-nos quando estamos caídos, segue as nossas prioridades na selecção de alvos e morre pouquíssimas vezes. Infelizmente não está isento de erros, ficando preso no cenário pontualmente, por vezes em zonas em que dava muito jeito tê-lo connosco, outras vezes parece que se esquece de disparar, parecendo não reconhecer que estamos em batalha.

Já Jack, o pequeno robô, é extremamente útil. Tem uma skill tree que podemos ir desenvolvendo consoante encontramos materiais para isso. Por norma estes materiais estão sempre um bocado fora de mão para incentivar a exploração e comigo funcionou, porque estava sempre a vasculhar todas as salas à procura de componentes para o melhorar. Excluindo os puzzles que são feitos especificamente para o Jack realizar, há lutas em que dá muito jeito tê-lo a combater ao nosso lado, e na parte final do jogo, há que dizê-lo, Jack é uma arma e peras! Achava que não ia ser fácil controlar todas as suas habilidades, mas afinal revelou-se um processo mais simples do que parecia.

O jogo tem secções em mundo aberto que na prática não servem para grande coisa, nem têm qualquer inimigo. Parece uma área feita para mostrar o skiff, o veículo que usam para se deslocar, numa espécie de kite-esqui. É giro para navegar e para ver o quão belo e bem desenhado é o mundo, mas encarei mais como um perk do que parte essencial da experiência. Continua, no entanto, a ser um ponto positivo deste novo jogo.

No modo online sou muito mais jogador de PvE que de PvP, e aqui o jogo introduz o novo modo, Escape, onde temos de escapar duma horda de inimigos após termos colocado uma bomba no seu ninho. Jogado a 3 entretém, mas não é a última Coca Cola do deserto. Continuo a preferir o modo Horde, onde enfrentamos sucessivas ondas de inimigos cada vez mais difíceis de eliminar. Agora podemos melhorar as nossas capacidades individuais, algo que não gostei, porque vejo que cada um dos jogadores trabalha agora muito mais para si do que para o bem comum de proteger o Fabricador.

Em PvP nada de novo. É um jogo solido, os tradicionais 5 modos, jogando-se essencialmente como run n’gun, onde os melhores simplesmente correm de local para local, usando a Gnasher (caçadeira) para praticamente arrumarem com os adversários com um só tiro. Quando a equipa funciona o jogo é interessante, mas nada de especial. Os modos são bem desenhados e divertidos, apenas não são inovadores. Também chato é estares constantemente a ser "colado" às paredes. Dado serem cenários muito mais confinados e cheios de pontos de cobertura é difícil para o jogo perceber quando só queres correr e não usar a parede para te protegeres.

Há aqui material para jogo do ano? Nem por sombras. O jogo é mau? Longe disso. O jogo é muito bom. História muito competente, gráficos e sons muito acima da média, componente de tiros com poucas falhas. Há algo bastante importante perto do final, algo que pode tornar o jogo que encerra esta trilogia como o melhor de sempre, no entanto também pode levar a que se jogue pelo seguro e acabem por desperdiçar esta oportunidade. Com um final algo decepcionante, este jogo parece mostrar o rumo que o The Coalition quer dar à franquia. A meu ver está no bom caminho. Considerando que podes jogar este jogo por 1€ em Xbox ou PC (aderindo ao Game Pass), só não lhe dás uma oportunidade por birra, porque vale bem a pena jogá-lo!

  • Lançamento: 10 de Setembro de 2018
  • Plataformas: PC/Xbox One
  • Desenvolvedor: The Coalition
  • Editora: Xbox Games Studios
  • Nota Pessoal: 8/10
  • Analisado na versão para PC.