2019 Oct 28 / 10:27

Análise: Planescape Torment & Icewind Dale Enhanced Edition

A minha desconfiança em jogar um cRPG numa consola era tal que fiz os possíveis para não ficar com este jogo. Logo por azar, uma série de problemas e condicionantes fizeram com que me calhasse em sorte analisar Icewind & Dale + Planescape: Torment Enhanced Edition na Switch. Há que dizer que por vezes o destino nos prega surpresas agradáveis, porque estas versões para consola estão um mimo!

Ambos os jogos são cRPGs puros, com o “c” a significar que foram desenhados para ser jogados em computador. Mero detalhe. Ambos com histórias dignas de figurarem entre clássicos da leitura, algo que nos relembra a cada diálogo que os jogos hoje em dia estão só raspam a superfície do que antigamente faziam.

Jogados em perspectiva isométrica, e a chorar por um rato, com gráficos objectivamente datados, animações relativamente pobres, com a IA da nossa party com algumas dificuldades em reconhecer os caminhos certos, compensando depois essa dificuldade com movimentos que parecem saídos dum qualquer fast forward dum episódio do Benny Hill, e isto considerando que já andam a animação de caminhar já é acelerada para começar. Hoje em dia já não se costuma ver isto, mas o que é que interessa? Este remaster, em termos visuais, pouco ou nada muda da versão já remasterizada para PC, as alterações mais significativas são os truques para "consolizar" o jogo.

Os próprios efeitos sonoros são deliciosamente engraçados por essa razão, já não se usam. Quando há narração esta é excepcionalmente boa.

Bem, saltemos da parte mais técnica para o jogo em si.

Quando pegas no comando tudo muda. O jogo é delicioso e surpreendentemente fácil de controlar e navegar. Claro que no calor da batalha o botão de pausa é o nosso melhor aliado, pois é bastante mais difícil controlar os personagens com os analógicos que usando simplesmente dois cliques num rato, mas mesmo assim não tive grande problema em mexer a bonecada quando percebi alguns truques com os gatilhos.

Mais dificuldade tive em perceber como jogar. Nunca joguei nenhum dos jogos da série Dungeons & Dragons, por isso não estava nada familiarizado com as mecânicas e regras. A Beamdog introduziu o Story Mode em Icewind & Dale, que essencialmente nos impede de morrer, e que usei para perceber o que raio fazer em cada situação. Embora na prática isso me tenha aberto caminho a fazer o que bem quis, mesmo assim não foi nada fácil perceber como planear a party, controlar habilidades, saber que armas usar em cada inimigo, para isso tive de passar o tempo todo na internet a ler guias ou a ver vídeos, porque o jogo se recusa a te dar a mão. Nesse aspecto são jogos duma crueldade gigantesca. Tens de falhar até aprenderes, algo a que, admito, já não estou nada habituado. No entanto isso facilitou, e de que maneira, a minha caminhada em Planescape: Torment, que já não tem este modo, e mesmo na dificuldade mais fácil fui derrotado com uma frequência bem maior do que esperava até perceber bem para que servia cada habilidade.

Embora a similaridade entre os jogos pareça clara, quando os joguei apercebi-me que são relativamente diferentes, com Icewind & Dale muito mais focado no combate, sendo que a espaços até parece um dungeon crawler, e o Planescape: Torment bem mais focado na história e diálogo.

Neste aspecto os jogos são muito diferentes, na acessibilidade a todos.

Algo que também gostava de ter sabido desde início é que diferentes personagens da nossa party interagiam de diferentes formas com os diversos NPC, abrindo novas opções de diálogo.

Algo que também gostei bastante foi do humor subjacente em muitos dos diálogos. Nada forçado, inteligente e muito enquadrado no ambiente da história e personalidade dos personagens.

Não consegui acabar nenhum dos jogos. Quem comprar esta versão do jogo tem entretém para meses e meses se quiser explorar tudo. São jogos gigantescos, cheios de recantos e caminhos para explorar, missões para fazer. São encantadores, viciantes e, mesmo sem nunca os ter jogado antes, nostálgicos. Numa altura em que andava viciado em Championship Manager, deixei escapar pérolas que deviam ter feito parte da minha adolescência. É uma pena mas o tempo não volta para trás. Se gostas deste tipo de jogos este acaba por ser obrigatório na tua colecção. Praticamente um must have, até porque não sei se volta a aparecer algum jogo deste género com tanta qualidade. Recomendado!

  • Lançamento: 15 de Outubro de 2019 (versões para consola)
  • Plataformas: PC/Xbox One/PS4/Nintendo Switch
  • Desenvolvedor: Beamdog
  • Editora: Beamdog
  • Nota Pessoal: 8/10
  • Analisado na versão para Nintendo Switch
  • Cópia para análise gentilmente cedida por Ecoplay.