2019 Nov 06 / 10:45

Review: Control

Tenho um carinho especial pelo género Sci-fi, seja em filmes, jogos ou livros, provavelmente pelo facto de trabalhar na área da tecnologia, sempre gostei de ver criações futuristas, exploração espacial, mundos fictícios e vida extraterrestre. Por isso, tudo o que seja Sci-fi, thriller, storytelling, com ambientes pesados e personagens interessantes com um tema a encontrar-se com um pouco de terror, faça favor de meter o meu nome que eu assino!

Entramos nos pés de Jesse Faden, que procura a The Oldest House, um edifício da Federal Bereau of Control ou FBC, onde estudam eventos paranormais e fazem pesquisa sobre certos objetos que estão ali alojados. Num esforço de encontrar o seu irmão Dylan, que desapareceu há 17 anos, raptado por uma entidade sombria.  Jesse toma a posição de diretor do FBC, após encontrar o corpo do diretor Zachariah Trench que estava na posição até Jesse entrar no edifício. Junto do corpo está uma arma muito pouco comum, que Jesse apanha e curiosamente consegue usar, essa habilidade torna-a instantaneamente o membro mais alto da agência. A arma é chamada a Service Weapon, que muda constantemente de forma (detalhes mais à frente) e só o diretor é quem a consegue usar.

 

 

As primeiras impressões que me saltaram à vista em termos de mecânicas e progressão, são o estilo de tactical shooter em terceira pessoa, e a variedade de conteúdo entre a missão principal e missões secundárias, zonas por desbloquear, pequenos colecionáveis com um pouco de história sobre as pessoas que trabalhavam numa certa divisão, muito back-tracking que às vezes é mal visto e com razão, mas que neste caso é bastante gratificante.

 

 

Embora o começo de Control seja bastante confuso, não se preocupem, vai ficar ainda mais, penso que essa foi mesmo a intenção da Remedy. Dezenas de perguntas sobre quem é aquela pessoa que está encarregue do edifício, qual é a sua intenção? Porque é que existem tantos sectores com pessoas que quase nunca se viram na vida? O que realmente é o The Hiss? E muitas outras perguntas surgem nas primeiras 3 horas, algumas dessas mantêm-se até ao fim do jogo, o que nao é bom para a construção e compreensão da história.

Existe um género de conflito entre os segredos ocultos do FBC e a The Oldest House, estes conflitos são momentos cruciais para Jesse tentar entender quem realmente é, a sua personalidade nunca se revela, embora existem algumas dicas espalhadas entre os documentos confidenciais, ficheiros de aúdio e pequenos videos sejam algo útil para a sua falta de caráter.

 

 

Control é um jogo bastante cinemático, houve aqui uma preocupação extrema em desenvolver os ambientes a um nível técnico bastante incrível, com uma narrativa bem construída para complementar. Gostei imenso dos detalhes dos funcionários que foram corrompidos pelo The Hiss, uma força sobrenatural que invadiu o edifício e os mantem suspensos no ar, ficam a contorcer-se com um gemido bastante desconcertante, é algo que cria um ambiente bastante pesado, digno de pesadelos psicossomáticos.

 

 

A Service Weapon consegue ser utilizada em dois modos dentro de um leque de opções onde podemos escolher: pistola, lançador de granadas, shotgun, SMG e sniper. A suposta munição dessas opções de arma não são um problema, existe um sistema de energia que vai sendo consumido quando a arma é disparada e é reabastecida após alguns segundos, foi a escolha perfeita a implementar para dar um pouco de encorajamento ao jogador para usar os outros poderes de Jesse enquanto a arma a recarrega.

Os poderes sobrenaturais que temos à escolha abrem uma variedade e combinação para todos os estilos de luta, dei por mim a limpar uma área inteira sem muito esforço, após tomar conhecimento do estilo de jogo que estava a fazer e de como as habilidades funcionavam. 

Abrir uma luta com um tiro de sniper ao inimigo mais longe, começar a levitar e arremessar uma máquina de vendas à cabeça de um pobre coitado que estava a passar para ter cobertura, criar um escudo de escombros para conseguir proteger contra um míssil, lançar esse escudo a outro inimigo com uma arma especial, no mesmo segundo, ouve-se outro míssil a chegar, usar telecinesia para devolver o embrulho (quem jogou Half-Life 2, vai lembrar-se da Gravity Gun e o quão divertido era). 

O gameplay é puro divertimento, bastante inovador e era isto que estava à procura num jogo sci-fi, a diversidade e o poder de escolha nos upgrades da arma e poderes é o melhor que um jogador pode ter, desde um estilo de luta mais próximo a poder controlar as mentes do inimigos, até um estilo de longa distância a arremessar pedregulhos a tudo o que mexe.

Obviamente que no início, sentimos muita pressão porque não sabemos como lidar com as situações, não temos poderes nem upgrades na arma, a nossa vida é bastante limitada assim como a barra de energia. A progressão é bastante aceitável de acordo com os encontros ao longo da história, um desenvolvimento bastante suave e pausado entre sequências, com espaço para aprender e pensar no próximo encontro ou tentar resolver aquele maldito puzzle.

 

 

Não existe nada como Control no mercado, o ambiente sombrio e misterioso são o melhor que a Remedy conseguiu criar até hoje, com mecânicas de combate memoráveis e inovadoras que não cansam porque existe sempre aquela escolha de poder modificar algo para o encontro que se segue. Era isto que a indústria precisava, algo novo, algo fresco dentro de um mercado onde já existe demasiada repetição dentro do mesmo género. Irá ser um titulo em que vou recomendar fortemente quando me perguntarem o que devem jogar. Vale a pena perder-se dentro da The Oldest House.

  • Lançamento: 27 Agosto de 2019
  • Plataformas: PC/Xbox One/PS4
  • Desenvolvedor: Remedy Entertainment
  • Editora: 505 Games
  • Nota Pessoal: 8,5/10

João "JLCfreitas" Freitas


Técnico de Redes e Sistemas, amante de jogos de terror e fanboy da Blizzard. Achievement Hunter de noite. Speedrunner de dia.