2019 Nov 19 / 10:51

Review: Call of Duty - Modern Warfare

O meu interesse na franchise acabou no ano em que Black Ops II saiu, nesse tempo já me sentia bastante saturado da fórmula anual e repetitiva, a vontade de jogar foi desvanecendo ao ver que não existia nada de invador, apenas uma campanha com cenários diferentes com um modo multiplayer a acompanhar.

Vim para este Modern Warfare sem espectativa nenhuma, nem tinha conhecimento que iria ser uma espécie de recomeço na série até uns dias antes do lançamento, com uma campanha e o típico modo online. O meu interesse é puramente na história e devo dizer que finalmente, uma campanha de Call Of Duty que vale a pena, depois de tantos anos em seco, temos uma narrativa que merece toda a atenção.

A campanha desenvolve-se num mundo fictício de Urzikstan onde um grupo terrorista com o nome de Al-Qatala, está a tentar roubar um gás extremamente venenoso criado pelos russos. Temos  dois lados de antagonistas, os Russos que ocupam o país e o grupo terrorista que anda pelo mundo a fazer ataques. É bastante claro que estamos a retratar o que que passou na guerra civil na Síria e respetivos grupos ou exércitos de cada país.

 

Provocativo seria a palavra certa para descrever a maioria das decisões tomadas ao longo das sequências e ações de personagens, desde crimes de guerra, sessões de tortura a crianças sequestradas, um cenário bastante realista e pesado que demonstra muito do que se passa nos dias de hoje.

Tomando o controlo de Alex, Garrick e Farah em diferentes sequências/missões da campanha, cada um tem o seu percurso e é fantástico conseguir ter tanta variedade em perspetivas diferentes da mesma história que se desenrola durante seis a oito horas num total. Mas quem realmente detém todo o protagonismo é Farah, comandante, líder e fundadora de um grupo rebelde com mais de 7000 voluntários que combatem para recuperar o país, com a ajuda do exército dos Estados Unidos e Britânico, com isto, Farah torna-se uma aliada e junta forças com Capitão John Price na maioria das operações.

 

Embora a fórmula seja basicamente a mesma, houve melhorias na forma como se usa as armas, especialmente em situações táticas de invasão de propriedade e em modo visão noturna. Armas modificadas são fornecidas no início de cada missão ou podem ser apanhadas de inimigos ao longo da sequência, há muito por onde escolher e claramente munição é relativamente abundante e justa de acordo com o cenário em questão.

Diversidade de sequências é o que mais me impressiona num First Person Shooter, Assalto, Defesa, Ataque Aéreo , Longa Distância, Captura e Furtivo é tudo o que Modern Warfare oferece e consegue manter a qualidade em todas essas frentes juntamente com a história, e é isso que me faz querer que é a minha campanha preferida de Call Of Duty, embora a estrutura seja demasiado familiar, estas campanhas não têm de ser sempre cinemáticas com aspeto militar. As ideias são boas e até bem conseguidas, mas há uma sequência que me incomodou bastante e tenho a certeza que quem jogou vai fazer comentários do mesmo género. Sem entrar em território de spoilers, existe uma missão com o nome de Going Dark, onde temos que investigar vários edifícios e zonas sem sermos detetados. Ter a obrigatoriedade de investigar todo o terreno, que está infestado de inimigos, independentemente da rota ou se existiu mortes pelo caminho, acabamos sempre por ter de limpar rondas de soldados, sozinhos, no escuro, sem apoio, e realmente sem propósito algum, afinal estamos num jogo tático ou encarnamos a personagem de Rambo?

 

Gostei bastante das tentativas em grande que a Infinity Ward tomou para este jogo, em todas as vertentes, campanha, Co-Op e multiplayer, embora com pequenos problemas que podem ser tratados com tempo, todas as mecânicas e as armas conseguem dar uma boa sensação ao jogar. Agora é esperar que exista uma pausa na franchise e que não venha um título para 2020 e mandar este para o caixote dos esquecidos, a melhor hipótese seria Black Ops 5.

Falando de multiplayer, é o que os fãs leais da franchise querem saber primeiro que tudo, é realmente toda a essência do jogo e é aí que a equipa de desenvolvimento se foca mais. Pela maior parte, tudo permanece intacto desde o último título, só adicionando algumas novas características e modos de jogo como 2v2 gun match que é o meu favorito, o clássico Team Deathmatch e o Ground War que suporta até 100 jogadores e é uma sessão de jogo que dura bastante tempo. Se preferem os modos com menos jogadores, temos 6v6, 10v10 e 20v20.

Os problema que permanecem são os spawn kills, muitos jogadores usam e abusam da vantagem que têm sobre o inimigo e ficam à espera que exista alguém a renascer na base e simplesmente voltam a matar o jogador com uma arma de longo alcance, embora já não seja tão frequente, ainda é algo a ter em conta, felizmente a vasta variedade de mapas com um estilo bastante interessante de jogar, e o plano é certamente ir adicionando mais à medida que o jogo se desenvolve após o lançamento, também já se ouve rumores sobre um modo Battle Royale com 200 jogadores, mas é apenas um rumor, se acabar sendo verdade, quero ver muitas mais mecânicas com visão noturna e algo que afete o mapa por completo para que os jogadores sejam forçados uma adaptação brusca de acordo com a situação e não fiquem à espera que alguém passe para entrar em combate, o que não falta é ideias para este modo, o problema é ter a habilidade de conseguir implementar corretamente.

  • Lançamento: 25 de Outubro de 2019
  • Plataformas: PS4, PC, Xbox ONE
  • Desenvolvedor: Infinity Ward, Raven Software, Beenox, High Moon Studios
  • Editora: Activision
  • Nota Pessoal: 8
  • Especiais agradecimentos à Platstation Portugal por ceder uma cópia para análise.

João "JLCfreitas" Freitas


Técnico de Redes e Sistemas, amante de jogos de terror e fanboy da Blizzard. Achievement Hunter de noite. Speedrunner de dia.